sexta-feira, 16 de março de 2007

para o fim-de-semana!!!

[just push play = há quem ainda aprecie o cinema e não apenas
consuma os super-super-super lançamentos ]


Quase Famosos
(“Almost famous”, 2000, Cameron Crowe)

Minha primeira afirmação sobre esse filme é um impulso: o filme é apaixonante. Fazendo uma análise mais atenta, em um segundo momento, posso destacar as razões pelas quais o filme configura minha lista. Além de uma junção de símbolos referentes aos anos de 1970, época que, de tempos em tempos, é motivo para se fazer filmes, dois aspectos se destacam e levam o filme a se diferenciar um pouco dos similares. O primeiro deles é o fato do roteiro ser baseado na história do próprio diretor (e antes jornalista, crítico de música) Cameron Crowe, o que reúne duas das coisas mais apaixonantes, no meu ponto de vista: o Jornalismo e o Rock and Roll. O segundo aspecto é complementar ao primeiro: a trilha sonora traz grandes nomes da música da década de 70.
Está certo que nem tudo foi exatamente descrito no filme, mas, havendo uma câmera já não se trata da pura realidade. Assim, podemos afirmar que a realidade representada em Quase Famosos é, no entanto, bem próxima da original. Tirando um pouco da ‘maquiagem’ necessária ao cinema hollywoodiano, podemos nos transportar há uma época, a outro tempo, tudo no embalo de Led Zeppelin, The Who, Alman Brothers, dentre outros.
A música é o motivo das decisões da personagem principal, é a fuga da irmã, é o nome da garota (Penny Lane), é a profissão da banda (Stillwater), é o negócio dos empresários, é a busca dos fãs, é a repreensão da mãe, é crítica e notícia da mídia, é produto ou prazer. A música é o que dá harmonia ao filme: parece ‘enquadrar melhor’ as belíssimas fotografias e, por vezes, é o que está nas entrelinhas do roteiro, direcionando a trama, emprestando sua poesia como recurso para voltarmos no tempo.

terça-feira, 13 de março de 2007

carpe diem

[just push play] = Tangerine - Led Zeppelin
A música da manhã,especialmente logo que o sol nasce, tem sabor de tangerina. Doce. O sol é de um dourado calmo e tranquilo, mas potencialmente radiante, por um dia que nos espera. Um dia que esperamos? E aí, seguir sempre, maisuma vez. A tangerina do sol pode ser seu aroma, observador. Observa cada milímetro da sua pele lisa, amanhecida, ainda com um pouco de sono e vestígios de sonhos que vão sendo levados com o vento. Ele corre mais rápido que você. Por que caminhos seguirão seus sonhos?

domingo, 11 de março de 2007

Sartre e Waters conversam em meu travesseiro

[just push play]= você já sentiu desânimo/frustração de final de ano?


(nos idos de 2004) Desde que me lembro estou como que sonhando acordada, e, em dados momentos do dia, da semana, da vida, paro e convivo realmente, concretamente, com essa sensação de que estou do lado de fora do meu próprio sonho. Ou melhor, uma sensação de que eu existo de uma maneira mesquinha e simplória, enquanto nesse “sonho” distante tenho todas as idéias, todas as vontades e desejos para viver uma vida intensa, apaixonada e curiosa.
O problema é que os dois lados, essas duas realidades, se conhecem, e, em pontos tangenciais nesse tempo e espaço em que vivo eu tenho que encarar as duas. A realidade e a vontade, e nesses dias fico assim: com longas férias a meu dispor, com muitas idéias na cabeça e impotente para realizar qualquer uma. Acabo meu final de semana lavando louças.
E isso me deixa enlouquecida e quieta, apática. Fico a pensar no que acontece comigo, o que eu vou ser, o que eu sou e de quem depende tudo isso. Crise existencial? Talvez, já diziam os grandes pensadores que a crise é benéfica, faz crescer, assim como o sofrimento, como dizia meu terapeuta. A questão é que, procuro essas respostas em muitos lugares, leio livros e tantas outras coisas. E o que o mundo me diz? De uma forma ou de outra, o que consigo pensar de tudo isso é que a resposta está por conta de nós mesmos. O que eu sou, e o que a humanidade vai ser e é, é fruto apenas e totalmente de nossas escolhas, de nossos projetos. As dúvidas me perseguem. E me indigno tanto que acabo pensando que “a vida” é realmente injusta. Ou será que eu sou tão alienada que não percebo?
Eu quero tanto tantas coisas, mas sempre esbarro nesse paredão enorme, como “the wall” de Waters. Há alguém aí? Há alguém aí dentro? Não posso fazer nada! Eu tento, eu pulo o mais alto que posso, escavo até minhas unhas sangrarem, grito muito até ficar rouca. E nada... Nenhum tijolo se move, nenhuma porta se abre, ninguém me olha de cima para me ajudar. Tudo que vejo nessas horas é um desabar de negativas. Nada se faz sem dinheiro? Nada se pode além dos padrões? Nada se diz além de formalidades? Por nada se luta além de egocentrismos individualistas? Nada se busca além de fortuna?
Sim, e continuo nessa redoma, e, às vezes, chego a me convencer que eu mesmo construí isso. Onde estão os amigos? Onde estão os amores? Quando serão as viagens? De onde surgirão as oportunidades? Como será a ajuda? Cada tijolo é uma pergunta sem resposta explícita. Cada dúvida é um certificado de que estou do outro lado de minhas vontades. Como transformar essas vontades em projetos?
Chega o final de mais um ano e estou me fazendo as mesmas perguntas... E outras mais surgiram. Mais uma vez estou encantada com uma lua cheia que visita minha janela. Continuo imaginando, com uma certeza absurda, que em outro lugar da Terra há alguém que está a olhar a lua e a pensar em mim, especialmente em mim, sem saber exatamente onde estou e como sou. Mais um final de ano e me emociono com coisas bobas e corriqueiras. Tenho vontade de ajudar a mudar a miséria que vejo pelos jornais. Mais um final de ano que estou esperando que dias melhores, aqueles daquela outra realidade, se realizem. Mais um final de ano que estou chorando e gostaria de estar dançando e gritando ao mundo o quanto amo estar viva e poder fazer de minha existência exatamente o que eu quero, apesar de não saber como exatamente... E, mais uma vez, esse grito fica preso. Mais uma vez um ano se vai, e o que é um ano afinal? Mais um tijolo? Apenas uma relação... Um ano, cem anos, um segundo, pode ser qualquer tempo. O que me sufoca são esses instantes de interrogação constante. Esse sentimento de ser a única pessoa que pensa assim, ou melhor, essa solidão de ser responsável e apenas ver minha vida se realizar em um tempo distinto do meu. Além do muro. Is the anybody out there?

Para os sobreviventes e a quem interessar possa...

Recebi um e-mail de um colega que se intitulava “Coisas que seus filhos não irão ver”. Ao abrir a mensagem, deparei-me com fotografias de vários brinquedos da minha infância. Clássicos dos anos 80. Estava lá o Fofão, o disquinho de vinil colorido, o Pogobol, o jogo de varetas, dentre outros... Fiquei olhando-os com um ar saudosista, daqueles que chegam dar um nó na garganta e ao mesmo tempo suscitam boas gargalhadas. “Lembra? Eu adorava o Fofão!”, “Ah, aqueles disquinhos...”.
A questão é que me deu uma vontade louca de escrever sobre isso, assim como tenho vontade muitas outras vezes. Parece que se a gente escrever sobre as coisas, elas demoram mais a passar, alguém pode vir a lê-las, seus filhos talvez não vejam, mas podem ter uma noção do que foi. Mais do que isso: tenho uma quase obsessão por tentar imortalizar (no bom sentido (?!)) o que me prende a atenção, o que suscita sentimentos fortes, o que julgo importante. Acho que todo ser humano tem esse sentimento, aquela coisa de não querer morrer, de perpetuar, além da espécie, a nossa própria pessoa, de querer ficar no mundo mais um pouquinho, depois do fim.
Juntando tudo isso, esses anseios, essa nostalgia, o impulso de querer mudar as coisas que não gosto, que não me parecem justas, a vontade de lembrar sempre das coisas que amei e que acho belas; por tudo isso, resolvi realizar esse velho projeto. Escrever crônicas, de preferência, registrar minhas interpretações, impressões, linhas, poemas, poesias, jargões... Melhor ainda se for no calor da hora. A tarefa não é simples. Não é simples porque não é uma simples tarefa. É um reviver, assimilar, refletir. Na verdade, passo muito tempo fazendo isso. Escrevo inúmeras crônicas em meus pensamentos (chego a pensar no tipo de letra e no alinhamento). A caminho da padaria, olhando pela janela enquanto viajo, revendo fotografias, conhecendo novas pessoas, reconhecendo velhos amigos... A todo instante apresenta-se um crônica para se fazer. O mundo, a vida, me parecem um grande romance, esperando para serem escritos por cada um de nós. Assim como uma reportagem, por mais pesquisa que seja feita - um fato só se torna acontecimento porque o escolhemos. E um acontecimento pode ser ínfimas vezes diferente, apesar de se tratar do mesmíssimo fato. Cada acontecimento é para um mundo. O mundo de cada um de nós. Até por que, acredito que o mundo é somente para nós. Infelizmente, a realidade verdadeiramente real e objetiva não compete aos nossos olhos, já nascemos com a lente da humanidade, uma lente social e cultural. E é por ela que vemos o mundo. Aqui tento traduzir a minha leitura desse mundo, quem ler essas linhas, vai ler um pouquinho sobre mim e muito sobre si mesmo.