quarta-feira, 8 de junho de 2011

A conjugação

[Just push play = Bitter Sweet Symphony - The Verve]


COISA DE TEMPO - E chega um dia que aquilo que você fingia ter acabado, volta. E você sente no peito que tempo é algo realmente-meramente-relativo.
Que tempo é mania de classificar e que sentimento fica ali, na carne, na história, na caixa de quinquilharias – lembrança não é morta.

COISA DE LEMBRAR - Lembrança é indicativo – tem algo que está ali lembra? Lembrança é índice, com eterna pretensão de voltar a ser conteúdo. Lembrança não quer ser só catálogo, quer ser reportagem viva. E amizade quando vira lembrança é assim mesmo, até porque, segue sendo amizade.

TEMPO DE LEMBRANÇAS - E o bom é que o tempo, tão relativo, serve pra dar tempo de arrumarmos nossos sentimentos. É aquela coisa de dar uma classificada e poder dizer que o tempo cura tudo, tem remédio pra tudo, tem solução e ajeita qualquer coisa. Nada disso, na verdade é a gente que vai decidindo o que quer fazer com toda a quinquilharia.

TEMPO DE VIVER - Dói um pouquinho mais, mas sempre concordei com Sartre. A coisa é com a gente mesmo. É muito bom poder abrir antigas portas que sempre estiveram ali porque guardavam em si a possibilidade de serem, justamente, reabertas.

O VERBO AMIZADE - Você parece uma criança, se comporta assim bem de cantinho. Espia pela fechadura, experimenta tocar a maçaneta. Encosta o ouvido e tenta decifrar aquele idioma por trás dela. Você lembra da voz, sente toda a doçura  confortante e lembra daqueles longos papos, confidenciais e sonhadores. Mas não entende mais o vocabulário, afinal, suas gramáticas e idiomas mudaram e cada qual foi falar a sua língua.
Ainda assim, as lembranças te dão um sentimento ancestral, das coisas que permanecem. E confiando piamente nesse sentimento tal qual uma criança, você se move com a decisão de um adulto e, finalmente abre a porta. “Será que ainda sabemos ser amigas?” É tempo de conjugar...